Ser um forasteiro em uma terra estranha

A noção de que este é um mundo pequeno é apenas uma noção. Nosso planeta é enorme, e os lugares são extremamente diversos entre si. A tecnologia tem nos ajudado e nos aproximado bastante, já que hoje em dia, podemos ir ao Google Earth e visitar qualquer lugarzinho do mundo. Nós assistimos vídeos de comemorações que antes eram desconhecidos para pessoas que estão inseridos em uma outra cultura. Podemos ter amigos virtuais por todo o mundo e falar com eles através de aplicativos de tradução que fazem com que a gente se sinta mais próximo. Mesmo assim, quando você viaja ou vai morar em um outro país, completamente diferente do seu, é muito comum ter uma sensação de se sentir um "estranho fora do ninho".

No nosso mundo moderno, é comum rotularmos uma pessoa como "a outra", "o estranho", "o estrangeiro", "o forasteiro". O esforço por identificar a nacionalidade de uma pessoa, cultura ou identidade de gênero é respeitá-la como pessoa, e não diminuí-la como uma coisa. Claro que isto não acontece em todos os lugares. Mas em países mais homogêneos, é visível que os locais usam palavras para distinguir as "pessoas de fora".

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A noção de ser apontado como "o outro" em terras estranhas não é um fenômeno recente. / Foto via Public Domain

Ser o forasteiro
Historicamente, essa noção de ser "o forasteiro" em terras estranhas, faz referência aos dias de exploração e colonização, quando as culturas começaram a ter primeiro contato umas com as outras. Quando Cristóvão Colombo conheceu a tribo Arawak (nativos americanos), ele os chamou de índios. A maioria das histórias que sabemos de primeiro contato vêm de europeus que chegam em outras terras.

Naquele tempo, a maioria das pessoas de fora da Europa achavam que estavam sozinhas no mundo - ou seja, que só as suas terras existiam no mundo. Assim, quando eles encontraram homens brancos chegando até as suas praias, geralmente eles os rotulavam de fantasmas ou emissários dos deuses que haviam cruzado os mares, possivelmente da lua. Já do ponto de vista europeu, os nativos encontrados pela primeira vez geralmente eram rotulados de selvagens e pessoas que não tinham nenhuma habilidade intelectual.

A family photo of an Inupiat Eskimo mother, father, and son, photographed in Noatak, Alaska, by Edward Sheriff Curtis circa 1929. The scan was made from a black and white film copy negative.

Índios nativos americanos - da região do Alasca./ Foto via Wikimedia

"O estranho, se não é um comerciante, é um inimigo" é um velho provérbio inglês. Isto era geralmente verdadeiro para a maioria do mundo e as palavras para designar os estrangeiros refletem tal provérbio. Em árabe é Ajnabi, uma pessoa a evitar; bárbaro ou estranho do ocidente. No México, uma teoria por trás da palavra Gringo é derivada da antiga palavra espanhola para dizer "grego" -  mas na verdade, significava uma pessoa que fala gibberish (língua estrangeira com ruídos e que ninguém entende). Já as palavras para designar "estrangeiro" no Japão, na China e na Coréia estão relacionadas entre si e todas remetem, essencialmente, a "pessoa externa".

Ser um estranho em uma terra estranha é ser "o outro". Existir fora da cultura e muitas vezes fora da língua. A sensação de que um estrangeiro é intrinsecamente perigoso, doente ou maligno em geral pode não ser mais a regra, mas ainda estamos muito longe de viver em um mundo pequeno. Gostou deste artigo? Mas saiba que ser um forasteiro em terras estrangeiras fica ainda mais difícil se você não fala um segundo idioma. Por isso não perca tempo! Faça um teste de nível online e GRATUITO e venha estudar na Listen & Learn Brasil.